E se fossem p@r@ o c@r@lho?

Tecno kids

A Tecnologia domina cada vez mais as nossas vidas, em muitos de nós com um impacto devastador dada a pouca pedagogia na sua utilização. Que entre adultos fique tudo mais ou menos entregue ao mercado, vá, podemos não gostar mas compreende-se. O livre arbítrio é, em princípio, suficiente para que quem se quer proteger o faça da maneira que bem entende. O que já é menos aceitável é a pressão do mercado sobre os menores, aqueles quem, por definição, ainda não estão capazes de distinguir o trigo do joio. Da escola ao supermercado, não faltam apelos para a capitulação tecnológica e até a FNAC, que gosta de se distinguir pela inteligência em matéria de consumo, já tem a banca “Tecnologi@ Kids”, onde promove os mesmíssimos gadjets com que seduz os adultos, tendo como única diferença a inclusão de cores berrantes e a panaceia da aprendizagem.

Quem acompanha crianças, sobretudo nas cidades, sabe a dimensão do desafio. Há quem, logo na escola primária, já dote os seus filhos de telemóveis, jogos portáteis e, não raras vezes, ipads. No parque infantil o rebuliço emancipatório deu lugar ao silêncio que emana dos olhos cabisbaixos em qualquer LCD e um pouco por todo o lado, em cada visita ou passeio, há quem ache razoável colocar as crianças a brincar com aquilo que não foi desenhado para a brincadeira. O individualismo reina. A experiência colectiva perde-se algures entre o frenesim da virtualidade. Não sei bem qual será o destino disto e que impacto terá no perfil psicológico da próxima geração de adultos. Mas confesso-me com medo. Se a geração que aprendeu a crescer na rua não está capaz de produzir mais do que aquilo que vemos, o que fará aquela que medrou sem sujar os joelhos na relva, sem olhar em frente para o outro e sem se treinar a desafiar o desconhecido?

One thought on “E se fossem p@r@ o c@r@lho?

  1. Não discordo totalmente, mas também não punha as coisas de forma tão maniqueísta, porque a tecnologia considerada em relação com crianças e parentes parece-me envolver várias questões interligadas: o espaço social; o espaço laboral e o espaço relacional/família ou algo parecido : 1º o espaço social (que era a rua e que constituía um espaço de liberdade) foi, e continua, a nos ser retirado/vedado/limitado [«en passant» porque deixámos que assim fosse/seja] e, por outro lado, somos humanos gostamos de um certo conforto e preguiça (que tb são precisos), mas tb temos que adicionar – no contexto da «rua» – a intensa e longa propaganda paranoica da segurança, além de outras questões de natureza ambiental que também possam ser motivo de preocupação . 2º estamos – enquanto mães/pais – metidos na engrenagem de um sistema laboral ora precário, ora escravizante – que, por um lado, suga o tempo e a força/disposição e, por outro lado, nos submeteu a um consumo arrebatador. 3º isto enquadra-se numa nova, mas não recente, estrutura familiar ou de proximidade em ruptura ou fragmentada….enfim….fico por aqui :-P

Deixe o seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s