“Os Facilitadores”, por Gustavo Sampaio*

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Quem são “Os Facilitadores” e o que fazem? São agentes híbridos por natureza, desde advogados-deputados até ex-políticos-consultores, passando por sócios-administradores, ex-governantes-comentadores, “lobistas”-especialistas, intermediários-dirigentes partidários, ex-reguladores-colaboradores, etc., combinações diversas que por vezes abrangem três ou mais planos em simultâneo, tal como nos casos de Luís Marques Mendes (ex-governante-consultor-comentador-conselheiro de Estado), José Luís Arnaut (ex-governante-advogado-administrador-comentador), António Vitorino (ex-governante-advogado-administrador), António Lobo Xavier (ex-deputado-advogado-administrador-comentador), Emílio Rui Vilar (ex-governante-consultor-administrador), Nuno Morais Sarmento (ex-governante-advogado-comentador) ou Daniel Proença de Carvalho (ex-governante-advogado-administrador), entre muitos outros. Transitam continuamente entre os escritórios de advocacia e os gabinetes ministeriais, órgãos de regulação, direcções nacionais de partidos políticos, cargos governativos, comissões parlamentares, grupos de trabalho encarregues de produção legislativa, etc. Servem como vasos comunicantes, fornecedores de contactos, intermediários de relações, facilitadores de negócios, produtores de blindagem jurídica, depositários de informação sigilosa, gestores de influências, criadores de soluções, movendo-se habilmente nos interstícios de um sistema “kafkiano”.

Este livro consiste numa investigação jornalística rigorosa e inédita que, pela primeira vez, revela e sistematiza as listas de clientes das maiores sociedades de advogados, as interligações políticas e empresariais (desde o recrutamento de ex-políticos ou políticos no activo até à acumulação de cargos de administração em grandes empresas), as participações no âmbito da produção legislativa ou da actividade regulatória, entre outros elementos. O trabalho de investigação, a compilação de factos e o cruzamento de dados compõem um retrato impressionante sobre a triangulação de interesses entre o poder político, o mundo empresarial e os consórcios de advocacia, desafiando o leitor através de um conjunto de questões, nomeadamente: as sociedades de advogados são uma peça essencial no mecanismo de aparente captura do poder político pelo poder económico e financeiro? Além de assessorarem e facilitarem, as sociedades de advogados também acabam por – de algum modo – incitar, promover, influenciar ou pressionar para que todos estes contratos e negócios se concretizem? Será legítimo – ou recomendável – que as mesmas sociedades de advogados participem tanto na negociação como na renegociação, ou seja, tanto na blindagem como na posterior desblindagem desses contratos e negócios, ora do lado do Estado ora do lado do sector privado?

*Texto de apresentação escrito pelo autor, mais informação aqui e em venda online aqui

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