Salvar a Prá-Kys-Tão

Há uns tempos, o Miguel Cardina apelava para que se salvem as Repúblicas e fazia-o com o melhor dos motes: “É que as Repúblicas de Coimbra fazem falta: pela memória que conservam, pelo presente que carregam e pelo futuro que prometem.”

Estes espaços de organização colectiva, de vivacidade, de antagonismo à lógica da Universidade, estão ameaçados de várias maneiras. Desde logo pela aplicação das propinas, que transformou o Ensino Superior num apartheid social, passando pela lei das rendas, tudo parece conspirar para que as Repúblicas não sobrevivam.

E é disso que se trata. Altamente degradadas, com as instituições, da Universidade à Câmara Municipal, num silêncio cúmplice para que se faça o funeral da sua agonia, resta a cada uma delas juntar todas as suas forças, todos os que por lá passaram, para lutar contra o desaparecimento.

Também eu vivi numa delas e, com todos os que lá estão e estiveram, abraço a tarefa de a manter à tona. Digo, sem qualquer dúvida, que a Prá-Kys-tão foi uma escola de maior aprendizagem do que a Faculdade de Letras. Cada um com quem vivi ensinou-me mais do que qualquer professor, do que qualquer bibliografia.

O seu Futuro está também nas tuas mãos, e a ajuda solidária, coerente com o espírito da casa, será o salvo conduto para manter a Nau a navegar por muitos e bons anos. O primeiro passo é reunir mil euros nos próximos 90 dias, e conseguir, assim que se consiga o montante necessário, reforçar as quilhas da fachada e os mastros que seguram o telhado com que se faz ao mar.

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A campanha financeira é feita por crowdfunding, segue os links e vê como podes ajudar: Em Português: http://ppl.com.pt/pt/prj/salvacao-casa-da-nau Em inglês: http://ppl.com.pt/en/prj/salvacao-casa-da-nau

Página no facebook. Notícia no Diário das Beiras, no Notícias de Coimbra e no Diário de Notícias. Publicado também no Obéissance Est Morte e no Aventar.

3 opiniões sobre “Salvar a Prá-Kys-Tão

  1. Porque é que as Repúblicas perderam a razão.

    Durante anos, fizeram o que quiseram.

    Durante anos, poderiam ter chegado acordo com os senhorios para valores razoáveis, mas não.

    Durante anos, ao pagarem rendas simbólicas, melhor, durante décadas, podiam ter, hoje, um bom pé-de-meia para servir como entrada para aquisição do imóvel.

    Andaram anos armados em chicos espertos, refugiando na Lei contra os senhorios, invés de criarem bases para uma sustentabilidade a longo prazo da existência da República.

    Poderiam ter feito tudo isso. Tiverem tempo para isso.

    Tiveram mais de 50 anos para prepararem tudo isso.

    Mas não.
    Agora é tarde.
    Agora virou-se o feitiço contra o feiticeiro.

    Agora querem pena, compreensão e compaixão.

    Agora querem nos dizer que a culpa é do senhorio, quando anos após anos, décadas após décadas, o maior prejudicado foi ele.

    Agora é tarde,

    1. Tanto disparate junto. Durante anos foram os senhorios a não assumir as suas responsabilidades e as casas as únicas a garantir a sobrevivência (fisica também), dos espaços. O resto e azia e contra isso não se pode fazer nada.

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